O Cansaço Invisível: Quando o Sofrimento Psíquico Não Encontra Nome
- Silvana Souza Silva

- 3 de jan.
- 1 min de leitura

Segundo Wilfred Bion, quando a experiência emocional não encontra condições para ser pensada, ela permanece como excesso não transformado. Esse excesso não simbolizado tende a se manifestar como esgotamento, confusão interna ou sensação de vazio. Não é a experiência em si que adoece, mas a impossibilidade de pensá-la.
Esse quadro se articula com o que Donald Winnicott descreveu como excesso de adaptação. Muitos sujeitos aprendem desde cedo a funcionar bem, a atender expectativas externas e a sustentar papéis, mas fazem isso à custa do apagamento de sua vida emocional espontânea. O resultado é um funcionamento eficaz, porém esvaziado de sentido.
Na leitura de Joel Birman, esse tipo de sofrimento se intensifica na contemporaneidade, marcada pela exigência de desempenho contínuo, autonomia forçada e responsabilização individual pelo sucesso e pelo fracasso. O sujeito não pode falhar — e, portanto, também não pode descansar.
O cansaço invisível não é preguiça, fraqueza ou falta de motivação. Trata-se de um sofrimento psíquico legítimo, que surge quando o sujeito vive muito tempo desconectado de suas próprias experiências emocionais.
Cuidar da saúde mental, nesses casos, não significa apenas “parar”, mas criar espaços de escuta, simbolização e elaboração, onde a experiência possa finalmente ganhar forma psíquica.
Silvana Souza Silva - psicanalista




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